Como cultivar um relacionamento feliz? Estratégias construtivas de manejo do conflito conjugal
- 20 de jan.
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Atualizado: 22 de jan.

Inicialmente, é importante destacar que não existe uma fórmula universal para construir um relacionamento satisfatório. O que se observa, na prática, é a forma singular como cada casal organiza sua convivência e estabelece sentidos para a relação. O casamento, em especial, figura entre as experiências mais desafiadoras, pois, passada a fase inicial de encantamento, emerge a convivência real, desprovida de idealizações.
Feres-Carneiro (2013) aponta que os principais motivos de desentendimentos conjugais estão relacionados à criação dos filhos, ao tempo de convivência entre os cônjuges, às questões financeiras, à divisão de tarefas domésticas, à sexualidade e a demandas legais. A autora enfatiza que a forma como o conflito será entendido e as maneiras de tentar resolvê-lo serão preditores tanto da qualidade do relacionamento quanto da ocorrência ou não de violência conjugal.
De acordo com a autora do artigo, o conflito conjugal possui natureza relacional e processual e pode ser manejado por meio de estratégias construtivas ou destrutivas. As estratégias construtivas envolvem atitudes cooperativas, disposição genuína para resolver o problema, aceitação do ponto de vista do parceiro, abertura ao diálogo e priorização do vínculo conjugal sobre interesses individuais. Por outro lado, as estratégias destrutivas incluem comportamentos coercitivos, evitativos e tentativas de imposição unilateral de opiniões. A autora descreve ainda a existência de uma “negatividade recíproca”, caracterizada por ciclos de interação que se intensificam progressivamente e são de difícil interrupção.
Entre tais padrões, destaca‑se a dinâmica da demanda e do recuo — considerada um dos comportamentos mais nocivos e um importante preditor de divórcio tanto no início quanto nos estágios posteriores do casamento. Segundo Carneiro (2013, p. 206):
“O parceiro que recua transmite ao outro a mensagem de que sua opinião ou ponto de vista não existe, não é válido ou importante, fazendo crescer o sentimento mútuo de não ser compreendido ou amado.”
Além da descrição deste artigo exemplificando os motivos dos desentendimentos dos casais e como a postura colaborativa ou destrutiva podem ser preditores de relações mais duradouras ou de separações, as autoras norte‑americanas Jane Nelsen, Mary Nelsen e Amber Traina (2023) sugerem estratégias para fortalecer o relacionamento conjugal, observando, contudo, que mudanças comportamentais exigem tempo para serem consolidadas. As autoras afirmam que a comunicação, isoladamente, não resolve conflitos, uma vez que muitos casais não se comunicam de forma ineficaz. Para elas, a modificação de comportamentos deve anteceder mudanças as cognitivas, dada a existência de uma “complementariedade neurótica” de difícil acesso apenas por meio da reflexão.
Em seu curso para casais, as autoras propõem um conjunto de estratégias e ferramentas aplicáveis conforme a situação vivenciada pelo casal. Uma delas é o uso das chamadas “perguntas curiosas”, baseadas no pressuposto de que ordens e comandos provocam reações imediatas de resistência e raiva, enquanto perguntas estimulam reflexão e cooperação. Dentre os exemplos de perguntas estão:
“De quanto tempo você ainda precisa para estar pronto para sairmos?”
“Qual é o melhor horário para você realizar essa tarefa?”
“Quais ideias você tem para nos ajudar a manter o orçamento?”
“Como posso ter certeza de que já pegamos tudo de que precisamos?”
Essas perguntas podem ampliar a participação ativa do parceiro na solução de problemas e contribuem para um clima relacional mais colaborativo. Portanto, priorizar o vínculo, abrir-se ao diálogo e adotar estratégias construtivas cria condições para relações mais estáveis e saudáveis.
Se você identificou algum dos problemas descritos, entenda que eles podem ser oportunidades para aprofundar o relacionamento e que com a ajuda de um psicólogo você pode encontrar saídas construtivas e levas para os problemas conjugais.
Estou à disposição para te ajudar!
Referências
FERES-CARNEIRO, T. Casal e família: transmissão, conflito e violência. “Estratégias de resolução de conflito e violência conjugal”. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.
NELSEN, J.; NELSEN, M.; TRAINA, A. Keeping the Joy in Relationships. In: www.keepingthejoyinrelationships.com, 2023.



